Cacique recebe turistas com história e palmito

FSP, Turismo, p. F14 - 24/04/2014
Cacique recebe turistas com história e palmito
Passeio em aldeia de Bertioga passa por trilha e rio de água gelada

RODOLFO LUCENA ENVIADO ESPECIAL A BERTIOGA (SP)

Mergulhar em águas geladas e límpidas de rio é um dos destaques do passeio pela aldeia guarani do rio Silveira, em Bertioga, litoral norte de São Paulo (103 km da capital).
Ao longo de algumas horas, os visitantes conhecem casas dos indígenas, aprendem sobre a história e os problemas da comunidade, percorrem uma trilha na mata Atlântida e podem até testar a habilidade no arco e flecha.
"Onde está o cacique?", pergunta o guia turístico a um grupo de índios assim que o grupo de turistas chega à tribo. Na primeira edição do tour, realizada no início deste mês, nem tudo estava bem azeitado na comunicação entre a agência de turismo e os líderes da aldeia, que tem cerca de 600 habitantes.
Mas tudo dá certo. Finalmente encontrado, o cacique Adolfo se revela um ótimo comandante de passeio. Sem camisa, ele veste bermuda, chinelos e um cocar de penas de arara; com um enorme facão, orienta o grupo a se instalar sob a sombra de umas árvores para a conversa de abertura da jornada.
Conta um pouco da história da tribo e da luta dos índios por demarcação de terra. Com 48 anos, Adolfo está há 20 no comando da aldeia, que ocupa uma área demarcada de 8.500 hectares.
Ali, os índios produzem palmito para vender --tudo de acordo com a legislação ambiental, segundo ele; o artesanato é outra fonte de renda da comunidade.
Depois da conversa, o passeio. O grupo cruza uma área de produção de mudas de açaí e palmito.
O cacique mostra a embiruçu, uma enorme árvore que serve como abrigo nas caçadas ou ponto de reunião; de sua casca, os índios fazem cordas usadas nos arcos e em outros artigos.
O caminho é plano, mas exige atenção e equilíbrio: atravessa-se minipontes improvisadas com toras antes de chegar ao rio, onde cada um vai se pelando como pode e o pudor permite, aproveitando a água gelada.
A volta pela trilha é mais rápida: não há apresentação de danças típicas nem de música, como prometido no material de divulgação do passeio --problema de comunicação, dizem os organizadores. Em contrapartida, o cacique Adolfo faz uma breve exibição de seus dotes como arqueiro e convida alguns visitantes a experimentar a pontaria.
Quem quiser, pode comprar artesanato indígena e, antes de sair, o grupo recebe o mimo final: o cacique pede para que todos esperem sentados sob as árvores enquanto ele sai com seu facão em busca de palmito. Ele volta com um juçara de mais de meio metro, que habilmente descasca, corta e oferece para o grupo em pedacinhos.
É uma delícia, mas pouquinho. Todos ficam com aquele gostinho de quero mais.
TOUR EM BERTIOGA
QUANTO R$ 180 por pessoa
QUANDO no segundo domingo do mês, a partir de junho
INFORMAÇÕES na Element Adventure Travel and Ecotourism: (11) 3280-1986; elementtravel.com.br

FSP, 24/04/2014, Turismo, p. F14

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/turismo/162669-cacique-recebe-turistas-com-historia-e-palmito.shtml
PIB:Sul

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