Proprietários de terra da região de Buerarema (a 455 km de Salvador), no sul da Bahia, temem que retornem os conflitos com indígenas após a saída das tropas do Exército, realizada nesta segunda-feira, 14.
A Força Nacional e a Polícia Militar reassumiram, também ontem, o controle das operações de segurança na região que ainda compreende os municípios de Una e Ilhéus.
Desde março, após pedido de aplicação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), feito pelo governador Jaques Wagner ao ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, o Exército fazia o policiamento nos três municípios.
Segundo informações contidas em nota da Secretaria de Segurança Pública (SSP) da Bahia, a Força Nacional, que já disponibilizava um pelotão nas regiões de conflito, incorporará mais um agrupamento de policiais e reforço logístico.
Da Polícia Militar, serão 130 homens, distribuídos em regime de plantão, no 15o Batalhão e na Companhia Independente de Policiamento Especializado/Cacaueira, ambos em Buerarema. Parte deste efetivo irá ainda para os municípios de Una e Ilhéus.
A SSP não divulgou ontem balanço do primeiro dia de operações das tropas, que chegam para reforçar o policiamento no local. Somente nesta terça (15), um balanço poderá ser divulgado.
Tensão
O produtor rural de Buerarema, Alfredo Falcão, disse que a situação de conflito com índios tupinambás gera tensão entre os produtores da região. "Com a saída do Exército, tememos que retorne a insegurança de três ou quatro meses atrás", apontou.
No dia 4 de julho, um produtor e um índio tupinambá foram assassinados em uma fazenda de Santaninha de Ilhéus. A Polícia Civil tinha como principal hipótese a motivação por vingança, relativa à disputa por terras.
"Mas nós não vemos os inquéritos andarem. Os autores dos crimes não são presos e continuam armados. E mesmo com reintegrações de posse determinadas pela Justiça Federal, muitos proprietários de terra temem retornar. Não há segurança", diz Alfredo Falcão.
Os índios da etnia tupinambá reivindicam a posse de mais de 47 mil hectares entre os três municípios, onde se concentram em torno de 300 fazendas.
A indígena Magnólia da Silva disse, por sua vez, que o clima na região é de tranquilidade na aldeia tupinambá Serra do Padeiro. Ela é irmã de Rosivaldo Ferreira da Silva, conhecido como cacique Babau, liderança dos indígenas na região.
"Ainda não vimos ninguém da Força Nacional. Ficamos sabendo que o Exército sairia nesta segunda, mas está tudo tranquilo por aqui na aldeia", disse Magnólia.
http://atarde.uol.com.br/bahia/noticias/proprietarios-de-terra-temem-novos-conflitos-com-indigenas-1605857
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