PF investiga ataque contra indígenas

Diário da Amazônia diariodaamazonia.com.br - 02/12/2017
O cacique na aldeia Paiter Suruí, Narayni Suruí, de 34 anos e sua esposa Elisângela Dell-Armelina Suruí, de 38 anos, foram atacados a tiros. O cacique relatou que um madeireiro disparou três vezes contra eles por volta das 19h30 da última quarta-feira (29), na estrada que liga Cacoal (480 quilômetros de Porto Velho) à terra indígena. Ele voltava para a sua aldeia em uma moto, com a mulher na garupa. Ninguém foi atingido.

A Polícia Federal em Rondônia (PF-RO) investiga a tentativa de assassinato contra o casal de indígenas paiter-suruís que haviam confrontado e expulsado madeireiros da Terra Indígena Sete de Setembro, na divisa entre Rondônia e Mato Grosso.

Narayni identificou o autor dos disparos pelo apelido de Rael. Ele faria parte de um grupo de madeireiros flagrados com quatro caminhões carregados com toras de castanheira dentro da Sete de Setembro, na quinta-feira da semana passada (23).

Imagens e vídeos feitos com celular pelos próprios indígenas mostram ao menos dois caminhões carregados com toras, um deles supostamente dirigido por Rael. Segundo Narayni, os paiter-suruís quebraram o vidro de um dos veículos.
A PF confirmou o confronto com madeireiros na semana passada e coletou os depoimentos sobre o suposto atentando na quinta-feira (30). O caso está sendo investigado pela delegacia de Ji-Paraná, a 105 quilômetros de Cacoal.

"Os madeireiros acham que têm o direito da terra indígena como se fosse terra de ninguém para explorar os recursos naturais. Para eles, não temos o direito de defender o nosso território", afirma Julio Suruí, irmão de Narayni e uma das principais lideranças da Sete de Setembro.

Educadora do Ano

Elisângela Dell-Armelina Suruí é professora e dá aulas na Escola Indígena Estadual de Ensino Fundamental e Médio Sertanista Francisco Meireles, na aldeia Paiter Suruí da Linha 12 em Cacoal. A professora foi uma dos dez vencedores do prêmio Educador Nota 10 e também ganhou na categoria Educador do Ano, no mês de outubro, por seu projeto de alfabetização na língua indígena Paiter Suruí.

Projeto

O projeto de Elisângela, batizado de "Mamug Koe Ixo Tig", que significa "A fala e a escrita da criança", incluiu a elaboração de um material didático próprio em Paiter-Suruí para os 15 alunos do 1o ao 5o ano do Ensino Fundamental, que estudam todos na mesma sala multisseriada.



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