Venda de peças de decoração e de bijuterias passou a ser o ganha-pão dos índios xucuru-kariris
A crise causada pela pouca disponibilidade de terras para plantar e produzir para subsistência obriga índios dos povos xucurus-kariris a se deslocarem para a capital, onde viram camelôs em estilo próprio.
José Ferreira da Silva, 48, da Aldeia Coité, e Lourenço Cardoso da Silva, 37, forraram um tecido no Calçadão da Rua do Livramento para vender artesanato, entre peças de decoração e bijuterias. Sem camisa e com adornos pessoais, eles chamam a atenção de quem passa pelo comércio.
"As coisas por lá estão muito difíceis, não há espaço de terra para todos, a aldeia é pequena e a gente é obrigado a vir para a cidade grande para sobreviver", desabafou Lourenço, conhecido como Canau, que significa pássaro na linguagem de seu povo. Ele vende arcos, flechas, machadinhas, xanduca (cachimbos grandes), cachimbinhos, maracas, colores, brincos e pulseiras.
Raízes
José Ferreira, que se denomina Folha Amin, na linguagem indígena, trouxe raízes como ipê-roxo que, segundo ele, serve para gastrite, úlcera e inflamações em geral; jarrinha, indicada para diabetes e dores, e jatobá que, por seus ensinamentos, resolve problemas de anemia e catarro no peito.
"A rocinha que temos em Palmeira não dá nada, estamos esperando que o governo resolva logo o problema de nossas terras, para que possamos plantar e colher", explicou.
Os produtos comercializados pelos índios no Calçadão têm preços que variam de R$ 2,00, a R$ 10,00. Durante o dia, os dois índios são camelôs no Centro, e, no fim da tarde, se retiram para se abrigar na sede da Fundação Nacional de Assistência ao Índio (Funai) em Maceió.
PIB:Nordeste
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